
Festa litúrgica: 29 de junho
Nascimento: início do séc. I (Tarso, Cilícia)
Morte: c. 67 (Roma, via Ostiense)
Conheça a vida e o legado de São Paulo, celebrado em 29 de junho. Descubra tudo sobre a história de São Paulo, incluindo sua biografia, frases, orações e símbolos que representam sua vida como santo da Igreja Católica.

Nascimento em Tarso, na Cilícia. O ano não está registrado nas cartas.
Conversão no caminho de Damasco, narrada nos Atos dos Apóstolos.
Primeira viagem missionária, com Barnabé.
Concilio de Jerusalém, com Pedro e os demais apóstolos.
Escreve aos cristãos de Roma, a partir de Corinto.
Martírio em Roma, pela espada, e sepultura na via Ostiense.
São Paulo, chamado também Saulo, nasceu em Tarso, na Cilícia, no início do século I. Os Atos dos Apóstolos o apresentam como judeu, fariseu, cidadão romano e perseguidor da Igreja, até o dia em que, no caminho de Damasco, o Senhor ressuscitado o detém. A partir daí, Paulo se diz apóstolo, não por escolha dos homens, mas pelo chamado de Jesus Cristo.
A Igreja o celebra com São Pedro em 29 de junho. O Martirológio Romano recorda que foi morto pela espada em Roma, sob Nero, e sepultado na via Ostiense. A tradição situa esse martírio por volta do ano 67. Em 25 de janeiro, o calendário romano guarda ainda a festa da sua Conversão. Como no caso de Pedro, não há beatificação nem canonização com data: a veneração é anterior a esse processo.
Paulo se apresenta como apóstolo dos gentios. Convém não confundir esse título, que está nas próprias cartas, com o padroado oficial das missões. Esse título foi dado por Pio XI, em 14 de dezembro de 1927, a Santa Teresa do Menino Jesus, ao lado de São Francisco Xavier. O que as comunidades pedem a Paulo é o que ele mesmo escreveu: anunciar Cristo, e não a si.
Das suas cartas nasceu boa parte da linguagem com que a Igreja fala da graça, da Igreja e da cruz. Esta página se apoia nos Atos, nas cartas que trazem o seu nome e no Martirológio. Não completa com episódios que essas fontes não contam.
Antes de ser apóstolo, Paulo era cidadão de duas cidades: Tarso, onde nasceu, e Roma, cujo direito o protegeu mais de uma vez. Nos Atos, ele mesmo apela para César. Essa cidadania explica a viagem final a Roma, contada com o naufrágio em Malta. O livro acaba antes da sentença. A morte, como se disse, vem do Martirológio, não do último versículo dos Atos.

Os Atos contam a conversão três vezes, nos capítulos 9, 22 e 26. Saulo ia a Damasco com cartas para prender os discípulos. Uma luz o derruba, e ele ouve: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Fica cego, jejua, e Ananias, enviado pelo Senhor, lhe impõe as mãos. Paulo recupera a vista e é batizado. O relato não esconde o que ele foi antes. A graça, nas cartas, é exatamente isso: o dom dado a quem perseguia a Igreja.
Ele mesmo diz que é hebreu, da tribo de Benjamim, e que foi instruído aos pés de Gamaliel. O ano do nascimento não está nas cartas. Sabe-se a cidade, Tarso, e a formação farisaica. Depois de Damasco, os Atos o mostram pregando nas sinagogas e, mais tarde, levado por Barnabé até Antíóquia, de onde parte a missão.
Os Atos organizam a missão em grandes percursos: Chipre e a Ásia Menor, depois a Macedônia e a Grécia, depois de novo o Egeu, até a prisão e a viagem a Roma. Em cada cidade fica uma comunidade, e é a essas comunidades que Paulo escreve. As cartas não são tratados abstratos. Nasceram de conflitos concretos: a ceia do Senhor em Corinto, a Lei na Galácia, a unidade em Filipos, a sorte de Israel na Carta aos Romanos.
No concílio de Jerusalém, por volta de 49, Pedro, Tiago, Paulo e Barnabé enfrentam a pergunta que decidiu o rosto da Igreja: os pagãos convertidos precisam primeiro observar a Lei de Moisés? A resposta, guardada nos Atos 15 e recordada por Paulo em Gálatas 2, é que não se impõe esse jugo. Paulo recebe o reconhecimento de que lhe foi confiado o Evangelho aos incircuncisos, como a Pedro o Evangelho aos circuncidados.
“Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho.” A frase está na Primeira Carta aos Coríntios. Na Segunda, Paulo fala de um espinho na carne e da resposta que recebeu: a graça basta, e é na fraqueza que o poder se manifesta. Não se sabe ao certo o que era esse espinho. A carta não o explica, e esta página também não o adivinha. O que fica é o ensinamento: o apóstolo não se apresenta como herói sem ferida.
O cânon reconhece treze cartas com o nome de Paulo, além da Carta aos Hebreus, que a tradição ocidental associou a ele sem que o texto traga o seu nome. As que levam o nome com clareza, e que a pesquisa menos discute quanto ao autor, são Romanos, as duas aos Coríntios, Gálatas, Filipenses, a Primeira aos Tessalonicenses e Filemon. Outras, como Efésios, Colossenses e as cartas pastorais, são lidas pela Igreja como paulinas. O debate dos estudiosos sobre a redação não as tira da liturgia. Aqui se distinguem as duas coisas.
Algumas frases voltaram a ser oração da Igreja. “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”, aos Gálatas. “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro”, aos Filipenses. “O amor de Cristo nos impulsiona”, na Segunda aos Coríntios. Não são ditos piedosos de uma coletânea. São versículos, e por isso estão citados com o lugar.
Os Atos terminam com Paulo em Roma, pregando com liberdade, numa casa alugada, à espera do julgamento. O livro não narra a morte. Quem a transmite é o Martirológio: morto pela espada, sepultado na via Ostiense, onde a Igreja de Roma o venera na basílica de São Paulo Extramuros. A data de cerca de 67 é a da tradição, não uma ata do processo.
O retrato desta página é de El Greco, do início do século XVII, em domínio público. Mostra o apóstolo como a arte cristã o imaginou, com o livro das cartas. Não é um retrato contemporâneo de Paulo.
Entre uma viagem e outra, Paulo organizou uma coleta nas comunidades da Macedônia e da Acaia para os pobres da Igreja de Jerusalém. Fala dela em Romanos 15 e na Segunda aos Coríntios 8 e 9. Não era um detalhe de administração. Era o sinal de que judeus e gentios, na fé, formavam uma só família, e de que as igrejas novas não esqueciam a igreja-mãe. Paulo leva esse dinheiro a Jerusalém e é ali preso. A missão e a prisão estão ligadas.
Não são um sistema fechado, escrito de uma vez. São respostas. Por isso a mesma pena que canta o amor no capítulo 13 da Primeira aos Coríntios é a que corrige os partidos, o escândalo na ceia e a desordem dos dons. Ler só as frases belas, sem a comunidade ferida a que elas se dirigem, é perder o apóstolo.
“Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.” (São Paulo, Carta aos Gálatas 2,20)
“Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro.” (São Paulo, Carta aos Filipenses 1,21)
“Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (São Paulo, Primeira Carta aos Coríntios 9,16)
“O amor de Cristo nos impulsiona.” (São Paulo, Segunda Carta aos Coríntios 5,14)
Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro. O amor de Cristo nos impulsiona.
Ó Deus, que instruístes o mundo inteiro com a pregação do apóstolo São Paulo, dai-nos, vo-lo pedimos, que, celebrando hoje a sua conversão, caminhemos para vós seguindo o seu exemplo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. (Tradução da coleta latina do Missal Romano para 25 de janeiro.)
Carta aos Romanos
São Paulo
Carta aos Gálatas
São Paulo
Carta aos Filipenses
São Paulo
Primeira Carta aos Coríntios
São Paulo