
Festa litúrgica: 13 de junho
Nascimento: 15/08/1195 (Lisboa, Portugal)
Morte: 13/06/1231 (Arcella, junto a Pádua)
Conheça a vida e o legado de Santo Antônio, celebrado em 13 de junho. Descubra tudo sobre a história de Santo Antônio, incluindo sua biografia, frases, orações e símbolos que representam sua vida como santo da Igreja Católica.
BeatificaçãoNão se aplica
Canonização30/05/1232 (Papa Gregório IX)

Nascimento em Lisboa. A tradição franciscana indica 15 de agosto.
15 anos
Entra entre os Cónegos Regulares de Santo Agostinho.
25 anos
Vê chegar a Coimbra as relíquias dos franciscanos martirizados em Marrocos e pede o hábito.
26 anos
No Capítulo de Assis, encontra São Francisco.
35 anos
Morre em Arcella, às portas de Pádua, no dia 13 de junho.
Gregório IX o canoniza em Espoleto, em 30 de maio.
Santo Antônio nasceu em Lisboa, de família cristã. O nome de batismo era Fernando. A tradição franciscana indica o dia 15 de agosto de 1195. A carta apostólica de Pio XII, Exulta, Lusitania felix, de 16 de janeiro de 1946, confirma a cidade e a origem, e conta os passos que a Ordem guarda: os anos entre os Cónegos de Santo Agostinho, o desejo do martírio ao saber dos frades mortos em Marrocos, a tempestade que o levou à Itália e o encontro com São Francisco.
Morreu em 13 de junho de 1231, em Arcella, às portas de Pádua, a caminho da cidade onde queria morrer. Gregório IX o canonizou em 30 de maio de 1232, em Espoleto, menos de um ano depois. Não houve uma beatificação separada, porque esse passo ainda não existia como processo distinto. Em 16 de janeiro de 1946, Pio XII o declarou Doutor da Igreja universal, com o título de Doutor evangélico.
No Brasil e em Portugal ele é invocado para encontrar o que se perdeu. Essa invocação pertence à devoção do povo. Não é o título papal. O que a Sé Apostólica definiu com documento é a canonização e o doutorado. A devoção aos pobres, essa sim, está na vida que os contemporâneos contaram e que Pio XII recorda.
O nome com que o mundo o chama, Antônio de Pádua, não é o da cidade onde nasceu. Lisboa o gerou. Pádua o guardou e deu-lhe o título. Entre as duas cidades está a Itália das pregações, e a França de um período em que também ensinou. A festa, 13 de junho, é o dia da morte, não um dia escolhido depois.

Fernando cresceu em Lisboa e, ainda jovem, pediu o hábito dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho. Pio XII fala de cerca de onze anos nessa vida, entre o estudo e o ofício coral, primeiro em Lisboa e depois no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde a formação nas Escrituras se aprofundou. Não se conservou um diário desses anos. O que a carta pontifícia sublinha é a passagem do estudo assíduo para o desejo de uma vida ainda mais pobre.
Em 1220 chegaram a Coimbra os corpos dos primeiros mártires franciscanos, mortos no Marrocos. Fernando viu naquele cortejo o caminho que procurava. Pediu para sair dos cónegos e receber o hábito de São Francisco, com o nome de Antônio. Partiu para a África disposto ao martírio. Uma doença grave o fez voltar. A nau, apanhada pela tempestade, não tornou a Portugal: chegou às costas da Itália. É assim que Pio XII resume o fato, na Exulta, Lusitania felix. O desvio da viagem não foi um plano de Antônio. A Ordem leu nele uma disposição da providência.
No Capítulo de Assis, em 1221, Antônio encontrou Francisco. Durante um tempo ficou numa ermida, no trabalho simples, sem que os frades soubessem da sua formação. A tradição da Ordem conta que, numa ordenação em Forlì, a falta de um pregador o obrigou a falar, e a ciência das Escrituras apareceu então. Francisco, informado, escreveu-lhe a frase que Pio XII transcreve: agradava-lhe que Antônio lesse a sagrada teologia aos frades, contanto que esse estudo não apagasse o espírito de oração e de devoção, como pede a Regra. Antônio foi, na Ordem, o primeiro leitor, o primeiro encarregado de ensinar os irmãos.
O que resta de sua mão são os Sermões, comentários da Escritura para a pregação, não um livro de devoção fácil. Pio XII diz que quem os lê com atenção encontra um homem muito versado nos livros sagrados. Bento XVI, na audiência de 10 de fevereiro de 2010, repete o juízo e explica o título de Doutor evangélico: dos Sermões sai a frescura do Evangelho. Esta página não resume os Sermões com frases soltas de coletâneas. Onde não há uma citação conferida, a frase não entra.
A pregação não ficou na escola. Em Pádua, Antônio falava às multidões e intervinha contra a usura e a prisão por dívidas. O amor aos pobres é o traço que a canonização e, séculos depois, a declaração de Doutor continuam a recordar. A imagem do Menino Jesus nos braços, tão conhecida pela pintura de Murillo, é contada por Pio XII como tradição: enquanto Antônio orava, o Menino o abraçava. É uma tradição que o papa recorda. Não é um fato com a mesma espécie de prova que a data da canonização.
Em junho de 1231, doente, Antônio pediu para ser levado a Pádua. Morreu em Arcella, antes de entrar na cidade, no dia 13 de junho. Esse dia é a sua festa. Foi sepultado na igreja de Santa Maria Mater Domini. Menos de onze meses depois, Gregório IX o inscreveu no catálogo dos santos e, no fim do rito, cantou a antífona dos doutores, chamando-o luz da Igreja. Pio XII recorda esse gesto para mostrar que a fama de doutrina é antiga, embora o título formal de Doutor da Igreja universal só tenha sido dado em 1946.
Lisboa o tem como filho. Pádua guarda o corpo e deu-lhe o nome com que o mundo o chama, Antônio de Pádua. A busca das coisas perdidas é uma invocação muito antiga na devoção, especialmente em terras de língua portuguesa. Não se deve apresentá-la como um decreto da Santa Sé. O que se pode dizer com documento é isto: a Igreja o canonizou em 1232, reconheceu a sua doutrina em 1946 e continua a propor os Sermões e a pregação aos pobres como o centro da sua memória.
A imagem desta página é de Bartolomé Esteban Murillo, do século XVII, em domínio público: Antônio com o Menino. É a maneira como a arte barroca fixou a tradição que Pio XII também menciona. Não é um retrato do século XIII.
Os últimos anos foram sobretudo em Pádua. A cidade enchia as praças para ouvi-lo, e a Ordem guarda a memória de uma pregação que não separava o Evangelho da vida concreta: a usura, as prisões por dívida, o abandono dos pobres. Quando a doença o tomou, na primavera de 1231, pediu para voltar a Pádua. Não chegou. Arcella, hoje um bairro da cidade, é o lugar da morte. O corpo ficou em Pádua, e a basílica que o guarda é, desde então, uma das grandes peregrinações da Igreja no Ocidente.
Menos de um ano é pouco no processo antigo, e seria impossível no processo de hoje. Gregório IX não esperou uma fama lenta. Tinha ouvido Antônio e conhecia a comoção de Pádua. Pio XII recorda que, no próprio dia 30 de maio de 1232, o papa cantou a antífona dos doutores. A pressa não foi descuido. Foi o juízo de um papa que o tivera por arquivo vivo das Escrituras, a “Arca do Testamento”, segundo o tratamento que a mesma carta pontifícia conserva.
“Arca do Testamento.” (Papa Gregório IX, segundo a carta apostólica Exulta, Lusitania felix, de Pio XII, 16 de janeiro de 1946)
“A riqueza do ensinamento espiritual contido nos Sermões era tão grande que, em 1946, Pio XII proclamou Antônio Doutor da Igreja, com o título de Doutor evangélico, porque deles sai a frescura e a beleza do Evangelho.” (Papa Bento XVI, audiência de 10 de fevereiro de 2010, em tradução)
“Agrada-me que leias a sagrada teologia aos frades, contanto que, nesse estudo, não apagues o espírito da santa oração e devoção, como está contido na Regra.” (São Francisco de Assis, carta a Antônio, transcrita por Pio XII em Exulta, Lusitania felix)
“Ó Doutor ótimo, luz da santa Igreja, bem-aventurado Antônio, amante da lei divina, rogai por nós ao Filho de Deus.” (Antífona cantada por Gregório IX na canonização, segundo Pio XII)
Ó Doutor ótimo, luz da santa Igreja, bem-aventurado Antônio, amante da lei divina, rogai por nós ao Filho de Deus. (Tradução da antífona que, segundo a carta Exulta, Lusitania felix, Gregório IX cantou ao fim da canonização, em 30 de maio de 1232.)
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