
Festa litúrgica: 25 de outubro
Nascimento: 1739 (Guaratinguetá, São Paulo)
Morte: 23/12/1822 (Recolhimento da Luz, São Paulo)
Conheça a vida e o legado de Santo Antônio de Sant'Anna Galvão (Frei Galvão), celebrado em 25 de outubro. Descubra tudo sobre a história de Santo Antônio de Sant'Anna Galvão (Frei Galvão), incluindo sua biografia, frases, orações e símbolos que representam sua vida como santo da Igreja Católica.
Beatificação25/10/1998 (Papa João Paulo II)
Canonização11/05/2007 (Papa Bento XVI)
Nasce em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba paulista. A CNBB indica 10 de maio.
c. 21 anos
Entra no noviciado franciscano de Macacu, no Rio de Janeiro.
c. 35 anos
Funda em São Paulo o Recolhimento da Luz, hoje Mosteiro da Luz.
c. 41 anos
É condenado ao exílio por defender um soldado; o povo se rebela e a sentença é revogada.
83 anos
Morre no Recolhimento da Luz, em 23 de dezembro.
Bento XVI o canoniza em São Paulo, em 11 de maio.
Antônio de Sant'Anna Galvão nasceu em 1739 em Guaratinguetá, no Vale do Paraíba paulista, numa família de sólida prática cristã. A biografia publicada pela Santa Sé por ocasião da canonização registra apenas o ano; a CNBB indica o dia 10 de maio. Aos treze anos foi enviado ao colégio dos jesuítas de Belém, na Cachoeira, na Bahia, onde permaneceu de 1752 a 1756, e mais tarde abraçou a vida franciscana.
Morreu em São Paulo em 23 de dezembro de 1822, no Recolhimento da Luz, a casa que ele próprio havia fundado. João Paulo II o beatificou em 25 de outubro de 1998, e Bento XVI o canonizou em 11 de maio de 2007, no Campo de Marte, em São Paulo, durante a viagem ao Brasil por ocasião da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Na homilia, o papa o apresentou como o “primeiro brasileiro elevado à glória dos altares”.
Sua memória se celebra em 25 de outubro, aniversário da beatificação, e consta do Calendário Próprio do Brasil com o nome de Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, embora o povo sempre o tenha chamado simplesmente de Frei Galvão. Duas realidades muito associadas a ele procedem da devoção e da lei civil, e não de um ato da Santa Sé: as pílulas de Frei Galvão, pequenos papéis com uma antífona a Nossa Senhora que as monjas do Mosteiro da Luz preparam e distribuem, e o título de patrono da construção civil, dado por uma lei federal de 2016.

Segundo a biografia da Santa Sé, foi no seio da família que Antônio recebeu a fé, e foi também a família que cedo o mandou estudar com os jesuítas na Bahia. De volta a Guaratinguetá, desejou entrar na Companhia de Jesus, mas o pai se opôs. Eram os anos em que o Marquês de Pombal perseguia as ordens religiosas, sobretudo os jesuítas, que acabariam suprimidos, e o rapaz foi encaminhado aos franciscanos, que atendiam a paróquia vizinha de Taubaté.
Em 1760 ingressou no noviciado franciscano de Macacu, no atual estado do Rio de Janeiro, e fez a profissão religiosa no ano seguinte. Em 11 de junho de 1762 foi enviado ao Convento de São Francisco, na cidade de São Paulo, para cursar filosofia e teologia e receber a ordenação sacerdotal. Ali exerceu os ofícios de pregador, confessor e porteiro, e era à porta do convento que o povo costumava procurá-lo.
Consagrado a Nossa Senhora, considerava-se, nas palavras de Bento XVI, seu “filho e perpétuo escravo”. Na cédula com que consagrou a própria castidade escreveu uma frase que o papa quis citar na homilia da canonização: “tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor”.
Em 1774 fundou em São Paulo o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Luz da Divina Providência, hoje conhecido como Mosteiro da Luz, cuja primeira recolhida foi a Irmã Helena Maria. A fundação logo esbarrou na autoridade civil. Em junho de 1775, o capitão-general D. Martim Lopes Lobo de Saldanha mandou fechar a casa, que só pôde reabrir em agosto, com a permissão do bispo de São Paulo, Dom Manuel da Ressurreição. A igreja do recolhimento, construída por Frei Galvão, foi inaugurada em 1802.
A biografia da canonização conta que, em 1780, ele protestou contra a morte cruel de um soldado e foi por isso condenado ao exílio. Partiu a pé para o Rio de Janeiro, mas o povo se levantou em sua defesa, o capitão revogou a sentença e o frade pôde regressar ao convento.
Em 17 de abril de 1798, a Câmara de São Paulo escreveu ao provincial dos franciscanos que “este homem, Frei Galvão, é preciosíssimo a toda esta cidade e vilas da Capitania de São Paulo”, e chamou-o “homem da paz e da caridade”. Dois séculos depois, João Paulo II e Bento XVI retomariam a expressão nas homilias da beatificação e da canonização.
Já idoso, foi a Sorocaba para uma nova fundação, que a CNBB identifica como o Recolhimento de Santa Clara, de 1811. Regressou depois ao Convento de São Francisco, onde viveu ainda dez anos. Quando já não conseguia fazer a pé o caminho entre o convento e o recolhimento, passou a morar neste, com licença dos superiores e do bispo, e na última doença ocupou um pequeno quarto atrás do sacrário da igreja que havia construído. Ali morreu, em 23 de dezembro de 1822, e foi sepultado diante do altar-mor.
Ao beatificá-lo, em 25 de outubro de 1998, João Paulo II recordou que Frei Galvão se dedicara “com amor e devotamento aos aflitos, aos doentes e aos escravos da sua época no Brasil”, e descreveu-o como adorador da Eucaristia, conselheiro prudente e defensor dos pobres. Em 2007, em São Paulo, Bento XVI voltou a esses traços, insistindo na adoração eucarística e no ministério da confissão, e afirmou que a conversão dos pecadores era “a grande paixão do nosso Santo”. Na mesma celebração saudou as monjas concepcionistas do Mosteiro da Luz, que dão continuidade à obra fundada por ele.
O Mosteiro da Luz conserva o relato de sua origem. A um moço que sofria de cálculos renais, Frei Galvão entregou um papelzinho no qual escrevera um verso do breviário, “Post partum Virgo inviolata permansisti, Dei Genitrix, intercede pro nobis”, e mandou que o engolisse; mais tarde fez o mesmo por um homem cuja mulher corria perigo no parto. Segundo o relato, a graça foi alcançada nos dois casos.
As monjas concepcionistas continuam a preparar as pílulas e as distribuem gratuitamente, acompanhadas de uma novena à Santíssima Trindade. Os franciscanos de Guaratinguetá apresentam-nas como sacramental e advertem que não são remédio, de modo que quem está doente não deve deixar de procurar o médico.
O título com que engenheiros e construtores o honram tem origem civil. A Lei 13.359, de 2016, instituiu no dia de sua festa, 25 de outubro, o Dia Nacional do Patrono da Construção Civil e dos Profissionais da Engenharia Civil. Não há documento da Santa Sé que lhe atribua esse padroado.
A fachada do Mosteiro da Luz, fundado por Frei Galvão, foi fotografada por Wilfredo Rodríguez em 2016 e está em domínio público.
“Tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor.” (Frei Galvão, cédula de consagração da sua castidade, citada por Bento XVI na homilia da canonização, 11 de maio de 2007)
“Rezai para que Deus Nosso Senhor levante os pecadores com o seu potente braço do abismo miserável das culpas em que se encontram.” (Frei Galvão, segundo o testemunho da Irmã Helena Maria, citado por Bento XVI, 11 de maio de 2007)
“Este homem, Frei Galvão, é preciosíssimo a toda esta cidade e vilas da Capitania de São Paulo […]; é homem da paz e da caridade.” (Carta da Câmara de São Paulo ao provincial franciscano, 17 de abril de 1798, segundo a biografia da Santa Sé)
“Que belo exemplo a seguir deixou-nos Frei Galvão!” (Papa Bento XVI, homilia da canonização, 11 de maio de 2007)
Deus, Pai de misericórdia, que fizeste do Santo Antonio de Sant´Anna Galvão um instrumento de caridade e de paz no meio dos irmãos, concedei-nos, por sua intercessão, favorecer sempre a verdadeira concórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. (Texto conforme publicado pelo Mosteiro da Luz, São Paulo.)
Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu Vos adoro, louvo e Vos dou graças pelos benefícios que me fizestes. Peço-vos por tudo que fez e sofreu o vosso Santo Antonio de Sant´Anna Galvão, que aumenteis em mim a fé, a esperança e a caridade, e Vos digneis conceder-me a graça que ardentemente almejo. Amém. (Novena rezada com as pílulas de Frei Galvão, conforme publicada pelo Mosteiro da Luz, São Paulo.)


Vida de Frei Galvão: “o Frade Menor que São Paulo Aprisionou”
Frei Carmelo Surian, OFM
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