
Festa litúrgica: 28 de outubro
Nascimento: (Galileia (provável))
Morte: séc. I (tradição) (Pérsia (segundo a tradição))
Conheça a vida e o legado de São Judas Tadeu, celebrado em 28 de outubro. Descubra tudo sobre a história de São Judas Tadeu, incluindo sua biografia, frases, orações e símbolos que representam sua vida como santo da Igreja Católica.
Chamado entre os Doze. Mateus e Marcos o chamam Tadeu; Lucas, Judas de Tiago.
Na Última Ceia, pergunta a Jesus por que se manifestaria aos discípulos e não ao mundo (Jo 14,22).
Está com os apóstolos e Maria no Cenáculo, depois da Ascensão (At 1,13-14).
A carta que leva o seu nome entra no Novo Testamento. A data é discutida.
Segundo a tradição latina, prega na Pérsia e é martirizado com São Simão.
Criada em São Paulo a Paróquia São Judas Tadeu, hoje santuário. A primeira festa é em 28 de outubro.
O Novo Testamento designa este apóstolo de duas maneiras: Mateus e Marcos chamam-no Tadeu (Mt 10,3; Mc 3,18), e Lucas, Judas de Tiago (Lc 6,16; At 1,13). A tradição uniu os dois nomes, e é como Judas Tadeu que a Igreja o venera. Na audiência geral de 11 de outubro de 2006, Bento XVI lembrou que ele não deve ser confundido com Judas Iscariotes.
Os dados históricos seguros são escassos e cabem em poucas linhas: o nome na lista dos Doze, a pergunta que dirigiu a Jesus na Última Ceia (Jo 14,22) e a carta do Novo Testamento que traz o seu nome. Não se conhecem a data nem o lugar de seu nascimento e de sua morte.
A festa, em 28 de outubro, é partilhada com São Simão, o Cananeu, que nas listas dos apóstolos aparece sempre a seu lado. Segundo a tradição ocidental, os dois pregaram juntos na Pérsia e ali sofreram o martírio, notícia que chegou até nós pela tradição, e não por documentos.
No Brasil, São Judas é invocado nas causas impossíveis, invocação que pertence à piedade popular. Ela é particularmente viva em São Paulo, onde o Santuário São Judas Tadeu, no Jabaquara, celebra o padroeiro todo dia 28 desde 1941.

Nas quatro listas dos Doze, Judas figura perto do fim, junto de Simão (Mt 10,3-4; Mc 3,18; Lc 6,15-16; At 1,13). A origem do sobrenome Tadeu é incerta. Bento XVI menciona as duas explicações correntes, nenhuma das quais é segura: o nome viria do aramaico taddà', “peito”, com o sentido de “magnânimo”, ou seria a forma abreviada de um nome grego como Teodoro ou Teódoto.
Somente o Evangelho de João conservou uma palavra sua. Durante a Última Ceia, Judas, “não o Iscariotes”, pergunta: “Senhor, como aconteceu que te deves manifestar a nós e não ao mundo?”. E Jesus responde: “Se alguém me tem amor, há de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos morada” (Jo 14,22-23). Bento XVI vê nessa resposta o modo como o Ressuscitado se manifesta, não como uma coisa, mas a quem lhe abre o coração.
A carta abre-se com as palavras “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago” (Jd 1). A maior parte dos comentadores católicos identifica esse Judas com o “Judas de Tiago” mencionado por Lucas e, portanto, com o apóstolo, identificação que a Enciclopédia Católica de 1910 considera muito provável, embora não certa. Hegesipo, citado por Eusébio, fala de um Judas “irmão do Senhor segundo a carne”, cujos netos teriam vivido até o tempo de Trajano. O parentesco com Jesus é, assim, uma tradição antiga, ao passo que a Escritura nada diz sobre os pais de Judas.
Pertence ao grupo das chamadas cartas católicas, por não se dirigir a uma Igreja local, e destina-se “aos eleitos amados por Deus Pai e guardados para Jesus Cristo” (Jd 1). O autor combate os que fazem da graça de Deus pretexto para a devassidão e dividem a comunidade, e fá-lo com imagens duras, chamando-os “nuvens sem água”, “árvores de outono sem fruto” e “estrelas errantes” (Jd 12-13). O núcleo do escrito, porém, é uma exortação: “mantende-vos no amor de Deus” (Jd 21). A carta se encerra com uma doxologia ao “Deus único, nosso Salvador” (Jd 24-25).
Na Igreja antiga, a carta foi objeto de discussão, sobretudo por aludir a escritos que não entraram na Bíblia, como o Livro de Henoc (Jd 14-15). Ainda assim, o Fragmento Muratoriano, por volta do ano 170, já a enumera entre os livros recebidos em Roma, e Eusébio a classifica entre os “discutidos, mas aceitos pela maioria”. No início do século V era acolhida em todo o Ocidente, e o Concílio de Trento a incluiu no cânon que definiu.
Depois de Pentecostes, o Novo Testamento silencia sobre Judas, e o que se narra a seu respeito provém de textos posteriores. A Paixão de Simão e Judas, relato latino, conta que os dois apóstolos pregaram na Pérsia e ali foram mortos, num lugar chamado Suanir, que a Enciclopédia Católica situa, talvez, na Cólquida, no Cáucaso. O Vatican News resume a narrativa: presos e conduzidos ao templo do Sol, recusaram-se a negar Cristo e foram mortos pela multidão. Esses pormenores pertencem à tradição e à lenda e chegaram até nós com variações. As relíquias atribuídas aos dois apóstolos são veneradas na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
A invocação de São Judas nas causas impossíveis nasceu da devoção dos fiéis, e não se conhece documento da Santa Sé que lhe atribua esse título. Em São Paulo, essa devoção tem endereço. A Paróquia São Judas Tadeu foi criada em 25 de janeiro de 1940 por Dom José Gaspar de Affonseca e Silva e confiada aos padres do Sagrado Coração de Jesus, os dehonianos. A primeira festa do padroeiro foi celebrada em 28 de outubro daquele ano, e desde 1941 a comunidade o festeja todo dia 28.
A igreja hoje chamada “antiga” foi inaugurada em 1944, e a construção da “nova” começou em 1963. Em 18 de novembro de 1997, Dom Paulo Evaristo Arns elevou-a à condição de santuário, e é como o maior santuário urbano do mundo dedicado ao apóstolo que ela hoje se apresenta.
A pintura é o São Judas Tadeu de El Greco, do apostolado do Museu El Greco, em Toledo, feita entre 1610 e 1614. Está em domínio público e mostra o apóstolo como a arte o imaginou, sem pretensão de retrato.
“Senhor, como aconteceu que te deves manifestar a nós e não ao mundo?” (São Judas Tadeu, Evangelho segundo João 14,22, na tradução citada por Bento XVI)
“Mas vós, caríssimos, mantende-vos no amor de Deus, esperando que a misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo vos conceda a vida eterna.” (Carta de Judas 20-21, na tradução citada por Bento XVI)
“Tratai com misericórdia aqueles que vacilam.” (Carta de Judas 22, na tradução citada por Bento XVI)
Àquele que é poderoso para vos livrar das quedas e vos apresentar diante da sua glória, imaculados e cheios de alegria, ao Deus único, nosso Salvador, por meio de Jesus Cristo, Senhor nosso, seja dada glória, a majestade, a soberania e o poder, antes de todos os tempos, agora e por todos os séculos. Amém. (Carta de Judas 24-25, na tradução citada por Bento XVI na audiência de 11 de outubro de 2006.)



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