
Festa litúrgica: 1º de outubro
Nascimento: 02/01/1873 (Alençon, França)
Morte: 30/09/1897 (Lisieux, França)
Conheça a vida e o legado de Santa Teresa do Menino Jesus, celebrado em 1º de outubro. Descubra tudo sobre a história de Santa Teresa do Menino Jesus, incluindo sua biografia, frases, orações e símbolos que representam sua vida como santo da Igreja Católica.
Beatificação29/04/1923 (Papa Pio XI)
Canonização17/05/1925 (Papa Pio XI)

Nasce em Alençon, em 2 de janeiro. O nome de batismo é Maria Francisca Teresa Martin.
15 anos
Entra no Carmelo de Lisieux, em 9 de abril.
17 anos
Faz a profissão religiosa em 8 de setembro.
22 anos
Em 9 de junho, oferece-se ao Amor misericordioso.
24 anos
Morre de tuberculose, em 30 de setembro, no Carmelo de Lisieux.
Pio XI a canoniza em 17 de maio, na basílica de São Pedro.
Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face nasceu em Alençon, na França, em 2 de janeiro de 1873. O nome de batismo era Maria Francisca Teresa Martin. Era a mais nova das filhas de Luís Martin e Zélia Guérin, ambos canonizados depois por Francisco, em 2015. Entrou no Carmelo de Lisieux aos quinze anos e morreu ali, de tuberculose, em 30 de setembro de 1897, aos vinte e quatro anos. As últimas palavras que as irmãs guardaram foram: “Meu Deus, eu vos amo.”
A causa avançou depressa. Pio X introduziu o processo em 10 de junho de 1914. Bento XV declarou as virtudes heroicas em 14 de agosto de 1921. Pio XI a beatificou em 29 de abril de 1923 e a canonizou em 17 de maio de 1925, na basílica de São Pedro. Em 14 de dezembro de 1927, o mesmo papa a proclamou padroeira das missões, ao lado de São Francisco Xavier. João Paulo II a declarou Doutora da Igreja em 19 de outubro de 1997, pela carta apostólica Divini Amoris Scientia. A festa é 1º de outubro.
O que ela deixou não é uma suma. É a História de uma alma, os manuscritos escritos por obediência, as cartas e os últimos colóquios anotados pelas irmãs. A doutrina que a Igreja reconheceu como eminente tem um nome que ela mesma usou: o caminho pequeno, o caminho da infância espiritual. Não é infantilidade. É a confiança de quem se entrega ao Amor misericordioso sem apresentar obras como moeda.
Ela mesma conta, no Manuscrito A, a graça do Natal de 1886. Tinha treze anos. Naquela noite deixou de ser a menina que se magoava à toa e entendeu que Jesus a chamava a sair de si. É o ponto em que a História de uma alma marca o começo da vida espiritual que o Carmelo, dois anos depois, ia receber. A data não é uma lenda de biógrafo. Está na letra dela.

Teresa perdeu a mãe aos quatro anos. A família mudou-se para Lisieux, e a irmã Paulina, e depois Maria, entraram no Carmelo da cidade. Teresa quis segui-las ainda criança. Uma doença grave na infância, e a cura que ela atribuiu ao sorriso da Virgem, fazem parte do relato que ela mesma escreveu no Manuscrito A. Não é um processo canônico à parte. É a sua memória, e a Igreja a leu assim quando examinou a causa.
Em 1887, numa peregrinação a Roma, Teresa pediu a Leão XIII licença para entrar no Carmelo aos quinze anos. O papa lhe respondeu com prudência, sem fechar a porta. Entrou em 9 de abril de 1888. Vestiu o hábito em janeiro do ano seguinte e fez a profissão em 8 de setembro de 1890. O nome de religião foi Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. João Paulo II, ao declará-la Doutora, usa esse nome por inteiro.
No Carmelo, Teresa não teve cargos de brilho nem visões para contar em praça pública. O que escreveu, sobretudo no Manuscrito B, de setembro de 1896, é a descoberta da vocação dentro da Igreja. Procurava um lugar no Corpo de Cristo e o encontrou no hino da caridade, na Primeira Carta aos Coríntios: a sua vocação é o Amor. A frase “a minha vocação é o Amor” está nesse manuscrito. Não é um resumo posterior.
Na carta de 17 de setembro de 1896 à irmã Maria do Sagrado Coração, Teresa diz que é a confiança, e nada mais do que a confiança, que deve conduzir ao Amor. Bento XV, ao declarar as virtudes heroicas em 1921, falou desse caminho de infância espiritual. João Paulo II volta ao mesmo ponto em 1997: a doutrina é pequena na forma e grande no conteúdo, porque devolve o Evangelho à confiança, não ao cálculo das próprias forças.
Em 9 de junho de 1895, festa da Santíssima Trindade, Teresa escreveu o Ato de oblação ao Amor misericordioso. Oferecia-se para que o amor que Deus quer derramar, e que tantas almas recusam, encontrasse nela um lugar. O texto está nos manuscritos. O trecho que esta página traz na oração é desse ato, não uma paráfrase.
Na noite de 2 para 3 de abril de 1896, entre a Quinta-feira Santa e a Sexta-feira Santa, teve a primeira hemoptise. Entendeu a tuberculose como a chegada do Esposo. Foi para a enfermaria em julho de 1897 e morreu em 30 de setembro. Nesse mesmo verão, em 17 de julho, disse que passaria o seu céu a fazer o bem na terra. As irmãs anotaram a frase nos Últimos colóquios. “Tudo é graça” pertence a esses mesmos colóquios. São palavras de enfermaria, não capítulos de um livro planejado.
Teresa quis partir para o Carmelo de Hanói. A doença impediu. Recebeu, por isso, dois irmãos missionários para acompanhar na oração: o padre Bellière e o padre Roulland. Depois da canonização, bispos missionários pediram que fosse proclamada padroeira das missões. Pio XI o fez em 14 de dezembro de 1927. O decreto a põe, com os mesmos direitos, ao lado de São Francisco Xavier, padroeiro das missões desde antes. É um título pontifício, não uma devoção local. Por isso é o único padroado que esta página lhe atribui.
João Paulo II conta os passos na Divini Amoris Scientia. A Congregação para a Doutrina da Fé examinou a doutrina em 5 de maio de 1997. A Congregação para as Causas dos Santos examinou a causa em 29 de maio. Em 17 de junho, cardeais e bispos deram parecer favorável unânime. O papa anunciou a intenção em Paris, nas Jornadas Mundiais da Juventude, e proclamou Teresa Doutora da Igreja universal em 19 de outubro de 1997, na praça de São Pedro, no Domingo Mundial das Missões. É a mais jovem dos Doutores, e uma das mulheres a receber o título, com Catarina de Sena, Teresa de Ávila e, mais tarde, Hildegarda de Bingen.
A História de uma alma foi publicada no ano seguinte à morte, com retoques das irmãs. A edição crítica devolveu os manuscritos. As frases citadas nesta página estão nos manuscritos ou nos Últimos colóquios, não em imagens piedosas. As fotografias são as do Carmelo, feitas em vida ou no leito, e caíram em domínio público. Não são pinturas posteriores. Também não se inventou aqui um milagre de canonização com nome e data além dos que o arquivo do Carmelo de Lisieux publica: para a beatificação, a cura de Louise de Saint-Germain e a do padre Charles Anne; para a canonização, entre outras, a de Pius Pellemans, reconhecida em 19 de março de 1925.
Luís Martin e Zélia Guérin educaram as filhas na fé da paróquia e na prática da esmola. Quatro se fizeram carmelitas. Francisco os canonizou juntos em 18 de outubro de 2015. Teresa não é, portanto, uma figura sem casa. A infância espiritual de que ela fala aprendeu-se primeiro numa família concreta, em Alençon e em Lisieux, antes de ser doutrina para a Igreja inteira.
A primeira História de uma alma, de 1898, tinha sido preparada pela irmã Inês de Jesus, Paulina, com cortes e emendas. A edição dos manuscritos autógrafos devolveu o tom, mais direto, e algumas páginas que a primeira edição suavizara. Quem cita Teresa hoje deve preferir esses manuscritos. Foi o que se fez aqui com a vocação do Amor, a oblação e a carta de setembro de 1896.
“A minha vocação é o Amor.” (Santa Teresa do Menino Jesus, Manuscrito B, História de uma alma)
“Passarei o meu céu a fazer o bem na terra.” (Palavras de 17 de julho de 1897, guardadas nos Últimos colóquios)
“Tudo é graça.” (Últimos colóquios)
“É a confiança, e nada mais do que a confiança, que deve conduzir-nos ao Amor.” (Carta à irmã Maria do Sagrado Coração, 17 de setembro de 1896)
Para viver num ato de perfeito amor, ofereço-me como vítima de holocausto ao vosso Amor misericordioso, pedindo-vos que me consumais sem cessar, deixando que as ondas de ternura infinita que se encerram em vós transbordem para a minha alma. (Trecho do Ato de oblação de 9 de junho de 1895, escrito por Teresa no Carmelo de Lisieux.)
História de uma alma
Santa Teresa do Menino Jesus