
Festa litúrgica: 29 de abril
Nascimento: 25/03/1347 (Sena, Itália)
Morte: 29/04/1380 (Roma, Itália)
Conheça a vida e o legado de Santa Catarina de Sena, celebrado em 29 de abril. Descubra tudo sobre a história de Santa Catarina de Sena, incluindo sua biografia, frases, orações e símbolos que representam sua vida como santo da Igreja Católica.
BeatificaçãoNão se aplica
Canonização29/06/1461 (Papa Pio II)

Nasce em Sena, numa família muito numerosa.
16 anos
Impelida por uma visão de São Domingos, entra nas Manteladas, o ramo feminino da Ordem Terceira dominicana, e continua a viver em família.
27 anos
O capítulo geral dos Dominicanos a convoca a Florença. Raimundo de Cápua torna-se seu confessor e, mais tarde, seu primeiro biógrafo.
29 anos
Vai a Avinhão e exorta o Papa Gregório XI a regressar a Roma.
29 anos
Gregório XI entra em Roma em 17 de janeiro, pondo fim à permanência dos papas em Avinhão.
33 anos
Morre em Roma, em 29 de abril, depois de oferecer a vida pela Igreja.
Catarina Benincasa nasceu em Sena, no bairro de Fontebranda, em 25 de março de 1347. Era a vigésima quarta dos vinte e cinco filhos de Jacopo Benincasa, tintureiro, e de Lapa Piacenti. Não entrou num mosteiro de clausura. Aos dezesseis anos foi recebida entre as Manteladas, o ramo feminino da Ordem Terceira de São Domingos, e continuou a viver na casa da família, entre a oração, a penitência e o cuidado dos doentes.
Aprendeu a ler com dificuldade e só escreveu quando já era adulta. Ainda assim, deixou o Diálogo da Divina Providência, um epistolário numeroso e uma coletânea de orações. Escreveu a papas, cardeais, governantes e gente simples, trabalhou pela paz entre as cidades italianas e insistiu com Gregório XI para que deixasse Avinhão e voltasse a Roma.
Morreu em Roma, em 29 de abril de 1380, aos 33 anos. Pio II a canonizou em 1461. Pio XII a proclamou padroeira principal da Itália, com São Francisco de Assis, em 1939; Paulo VI a declarou Doutora da Igreja em 1970; São João Paulo II a incluiu entre as copadroeiras da Europa em 1999. Sua memória litúrgica é celebrada em 29 de abril.

O Vatican News conta que, aos seis anos, Catarina teve uma visão de Jesus revestido de vestes pontificais e que, no ano seguinte, fez voto de virgindade. Os pais tinham outros planos e queriam casá-la. A resposta da filha foi firme: com doze anos, cortou o cabelo, cobriu a cabeça com um véu e fechou-se em casa. Em 1363 a família cedeu, e ela pôde entrar nas Manteladas. Bento XVI acrescenta que foi uma visão de São Domingos que a levou a esse passo, aos dezesseis anos.
As Manteladas não viviam em clausura. Catarina ficou com os seus, confirmou o voto feito na adolescência e passou a dedicar-se à oração e às obras de caridade, sobretudo junto dos enfermos. O Vatican News diz que aprendeu a ler e a escrever; Bento XVI precisa que leu com dificuldade e só escreveu já adulta. Por isso grande parte de suas cartas foi ditada aos discípulos. Em torno dela formou-se um grupo de leigos, frades e homens de letras, os chamados “catarinados”. Chamavam-na “mãezinha” e “mãe e mestra”.
No último dia do Carnaval de 1367, Catarina viveu o episódio que os biógrafos chamam de núpcias místicas. Raimundo de Cápua, seu confessor e primeiro biógrafo, conta que Nossa Senhora a apresentou a Jesus, e que Ele lhe deu um anel com estas palavras: “Eu, teu Criador e Salvador, desposo-te na fé, que conservarás sempre pura, até quando celebrares comigo no Céu as tuas bodas eternas”. O anel, segundo o mesmo relato, só ela o via. Em 1375, em Pisa, recebeu os estigmas, que, a pedido dela, não apareceram no corpo enquanto viveu. A tradição fala ainda de uma troca de corações com Cristo, que a Enciclopédia Católica trata como lenda.
São relatos de testemunhas próximas. Paulo VI, ao declará-la Doutora, mencionou essas graças excepcionais, mas fundou o título na santidade de vida e na doutrina.
Quando a fama de sua santidade se espalhou, Catarina passou a aconselhar nobres, políticos, artistas, religiosos e o próprio papa. Em 1374, o capítulo geral dos dominicanos chamou-a a Florença e deu-lhe como orientador Raimundo de Cápua. As cartas tratam da pacificação da Itália, da cruzada, da reforma da Igreja e da volta do papado a Roma. Catarina chamava o papa de “doce Cristo na terra” e nunca deixou de lembrar-lhe as responsabilidades. Reconhecia as falhas dos padres e dos pontífices sem perder a reverência por eles.
Em 1376, Catarina foi à Provença ao encontro de Gregório XI, que residia em Avinhão, e insistiu com ele para que voltasse a Roma. O papa entrou em Roma em 17 de janeiro de 1377. Paulo VI chamou esse resultado de “obra-prima” da atividade da santa. Catarina também se empenhou na reconciliação de Florença com o pontífice, ainda que isso a expusesse à vingança dos rebeldes.
Depois da morte de Gregório XI e da eleição de Urbano VI, um grupo de cardeais rebelou-se, e começou o Cisma do Ocidente. Catarina tomou o partido de Urbano VI, que em novembro de 1378 a chamou a Roma. Ali gastou o resto das forças pela unidade da Igreja, adoeceu e morreu em 29 de abril de 1380. Pouco antes de morrer, disse: “Partindo do corpo, eu, na verdade, consumi e entreguei a minha vida na Igreja e pela santa Igreja”.
A obra de Catarina está no Diálogo da Divina Providência, também chamado Livro da Divina Doutrina, que Bento XVI chama de obra-prima da literatura espiritual, no epistolário e nas orações. No Diálogo, Cristo aparece como uma ponte lançada entre o céu e a terra, formada por três grandes escadas: os pés, o lado e a boca de Jesus. Por elas a alma sobe pelas etapas do caminho espiritual. Numa das cartas, Catarina escreve: “Se vocês fossem o que deveriam ser, incendiariam toda a Itália!”.
A arte cristã costuma representá-la com o hábito dominicano, o lírio e o livro, a coroa de espinhos ou um coração, alusão à troca de corações narrada pela tradição.
Os depoimentos das testemunhas foram recolhidos em Veneza entre 1411 e 1413. Pio II canonizou Catarina em 29 de junho de 1461. Pio IX a declarou copadroeira de Roma. Em 18 de junho de 1939, Pio XII a proclamou, com São Francisco, padroeira principal da Itália. Em 4 de outubro de 1970, pela carta apostólica Mirabilis in Ecclesia Deus, Paulo VI a declarou Doutora da Igreja, uma semana depois de Santa Teresa de Ávila. Em 1º de outubro de 1999, João Paulo II a nomeou copadroeira da Europa, com Santa Brígida da Suécia e Santa Teresa Benedita da Cruz. A devoção popular a invoca ainda contra o fogo e nas doenças. Não se conhece ato pontifício para esses patronatos.
“Ponde-vos como objetivo Cristo crucificado, escondei-vos nas chagas de Cristo crucificado, afogai-vos no sangue de Cristo crucificado.” (Santa Catarina de Sena, Carta 21, citada por Bento XVI na audiência geral de 24 de novembro de 2010)
“Ó Louco de amor! Não vos foi suficiente encarnar, mas também quisestes morrer!” (Santa Catarina de Sena, O Diálogo, cap. 30, citado por Bento XVI na audiência geral de 24 de novembro de 2010)
“Digo-vos e chamo-vos filho enquanto vos dou à luz mediante contínuas orações e desejos diante de Deus, do mesmo modo como uma mãe dá à luz o seu filho.” (Santa Catarina de Sena, Carta 141, ao cartuxo Giovanni Sabbatini, citada por Bento XVI na mesma audiência)
“Partindo do corpo, eu, na verdade, consumi e entreguei a minha vida na Igreja e pela santa Igreja, o que é para mim uma graça extremamente singular.” (Últimas palavras de Santa Catarina, segundo Raimundo de Cápua, Legenda maior, n. 363)
Ó Deus, que inflamastes de amor Santa Catarina de Sena, na contemplação da paixão do Senhor e no serviço da Igreja, concedei-nos, por sua intercessão, participar do mistério de Cristo e exultar em sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Por misericórdia Vós lavastes-nos no Sangue e por misericórdia desejastes dialogar com as criaturas. Ó Louco de amor! Não vos foi suficiente encarnar, mas também quisestes morrer! (...) Ó misericórdia! O meu coração ofega-me quando penso em Vós: para onde eu me dirija a pensar, mais não encontro do que misericórdia.
Ó inestimável Amor! Tu nos iluminas com a tua sabedoria para que nos possamos conhecer a nós mesmos, conhecer a tua verdade e os enganos sutis do demônio. Com o fogo do teu amor acendes os nossos corações com o desejo de te amar e de te seguir na verdade. Só tu és o Amor, somente digno de ser amado!
Santa Catarina de Sena, vós que fostes instrumento de Deus para a Igreja e o povo, sendo admirada e um exemplo de vida dedicada a Deus, dai-nos a graça de nos mantermos perseverantes na fé transmitida pela Igreja e a buscar uma maior intimidade diária com nosso Amado, a fim de que, um dia, possamos contemplar a face Divina. Amém.







A festa de Santa Catarina de Sena é celebrada em 29 de abril. É o dia de sua morte, ocorrida em Roma em 1380, quando tinha apenas 33 anos. Ela tinha ido a Roma chamada pelo Papa Urbano VI, depois que um grupo de cardeais se rebelou e começou o Cisma do Ocidente.
Em 18 de junho de 1939, o Papa Pio XII proclamou Santa Catarina de Sena e São Francisco de Assis padroeiros principais da Itália. O breve recorda que ela trabalhou pela concórdia nas cidades de sua pátria e que, com conselhos e orações, fez voltar a Roma os Papas que viviam na França. Em 1º de outubro de 1999, São João Paulo II declarou-a co-padroeira da Europa, junto com Santa Brígida da Suécia e Santa Teresa Benedita da Cruz. O Papa lembrou o papel que ela teve quando o Sucessor de Pedro residia em Avinhão, ao promover o retorno do Papa à sua sede, junto do túmulo do Príncipe dos Apóstolos. Segundo Bento XVI, ela também é co-padroeira da cidade de Roma, por desejo do Beato Pio IX.
O Papa São Paulo VI a proclamou Doutora da Igreja em outubro de 1970, na Basílica de São Pedro, e confirmou a proclamação pela carta apostólica Mirabilis in Ecclesia Deus, de 4 de outubro daquele ano. Na homilia, o Papa explicou que o título se apoiava em sua santidade e na "peculiar excelência da sua doutrina". Essa doutrina está no Diálogo da Divina Providência, nas Cartas, conservadas em grande número, e nas Orações. Paulo VI cita a bula de canonização, na qual o Papa Pio II afirmou que a doutrina de Catarina "não era adquirida" e que ela "mostrava-se mais como mestra do que como discípula". Bento XVI observa que ela aprendeu a ler com dificuldade e só escreveu quando já era adulta.
Era assim que ela se referia ao Papa, a quem sempre convidou a ser fiel às suas responsabilidades. Segundo o Vatican News, ela reconhecia as falhas humanas do Papa, mas sempre teve máxima reverência pelo Vigário de Jesus na terra, assim como pelos sacerdotes. Em 1376, encontrou-se na Provença com o Papa Gregório XI e foi decisiva para o retorno do Papado a Roma. Paulo VI chamou esse êxito de "a obra-prima da sua operosidade".
Os biógrafos chamam de "núpcias místicas" uma visão que Catarina teve no último dia do Carnaval de 1367. Segundo o relato de Raimundo de Cápua, seu confessor e primeiro biógrafo, citado por Bento XVI, Jesus lhe entregou então um anel, que permaneceu visível unicamente para ela. O mesmo biógrafo relata a "troca do coração": Jesus lhe teria aparecido com um coração humano nas mãos e o colocado no lugar do coração dela. Em 1375, segundo o Vatican News, recebeu os estigmas incruentos, isto é, sem sangue. Paulo VI menciona os místicos esponsais e os estigmas entre as graças místicas excepcionais que o Senhor lhe concedeu.