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Santa Teresa de Ávila

Santa Teresa de Ávila

Festa litúrgica: 15 de outubro

Nascimento: 28/03/1515 (Ávila, Espanha)

Morte: 04/10/1582 (Alba de Tormes, Espanha)

Padroeira:✍️ Escritores🇪🇸 Espanha

Conheça a vida e o legado de Santa Teresa de Ávila, celebrado em 15 de outubro. Descubra tudo sobre a história de Santa Teresa de Ávila, incluindo sua biografia, frases, orações e símbolos que representam sua vida como santo da Igreja Católica.

Beatificação24/04/1614 (Papa Paulo V)

Canonização12/03/1622 (Papa Gregório XV)

Tags:MísticaOraçãoContemplaçãoCarmelitasDoutores da Igreja

Linha do tempo

  1. 1515

    Nascimento em Ávila, Espanha

  2. 1535

    20 anos

    Entrada no Carmelo da Encarnação

  3. 1554

    39 anos

    Na Quaresma, diante de uma imagem de “um Cristo muito chagado”, vive a conversão decisiva (Livro da Vida, 9).

  4. 1562

    47 anos

    Fundação do Carmelo de São José

  5. 1580

    65 anos

    Aprovação da Reforma Carmelita

  6. 1582

    67 anos

    Falecimento em Alba de Tormes, Espanha

Biografia de Santa Teresa de Ávila

Teresa de Ahumada nasceu em Ávila, em Castela, em 28 de março de 1515, filha de Alonso Sánchez de Cepeda e de Beatriz Dávila y Ahumada. Cresceu numa família numerosa, com nove irmãos e três irmãs. Aos vinte anos entrou no Carmelo da Encarnação, na mesma cidade, e tomou o nome de Teresa de Jesus. Passou quase vinte anos em luta consigo mesma, até que, na Quaresma de 1554, diante de uma imagem de Cristo muito chagado, sua vida de oração mudou de rumo.

Em 1562 fundou em Ávila o Carmelo de São José, o primeiro da reforma que levaria o seu nome. Até a morte, abriu dezessete mosteiros de monjas e, com São João da Cruz, iniciou a reforma dos frades. Escreveu o Livro da Vida, o Caminho de Perfeição, o Castelo Interior e o Livro das Fundações, obras que são ao mesmo tempo doutrina espiritual e clássicos da língua castelhana.

Morreu em Alba de Tormes, em 4 de outubro de 1582. Foi beatificada por Paulo V em 1614 e canonizada por Gregório XV em 1622. Em 27 de setembro de 1970, Paulo VI a declarou Doutora da Igreja, a primeira mulher a receber esse título. A Igreja a celebra em 15 de outubro.

Infância e juventude em Ávila

Ainda menina, com menos de nove anos, Teresa leu vidas de mártires e chegou a improvisar uma breve fuga de casa “para morrer mártir e subir ao Céu”. “Quero ver Deus”, dizia aos pais. Bento XVI conta que ficou órfã de mãe aos doze anos e pediu a Nossa Senhora que fosse sua mãe. A Enciclopédia Católica situa essa morte aos treze; a diferença é pequena e vem das próprias fontes. Na adolescência, os livros profanos a levaram a uma vida mais mundana. Foi então mandada como aluna às monjas agostinianas de Santa Maria das Graças, em Ávila, onde aprendeu o recolhimento e a oração, até que uma doença grave a trouxe de volta para casa.

A Encarnação

Em novembro de 1535, sem o consentimento do pai, Teresa deixou a casa e entrou no mosteiro carmelita da Encarnação. Fez a profissão em 3 de novembro de 1537. Pouco depois adoeceu gravemente e passou quatro dias em coma, a ponto de ser dada como morta. Ela mesma o conta no Livro da Vida. Recuperou-se devagar, e por muitos anos a oração conviveu com conversas e amizades que, mais tarde, julgou serem distrações. Em 1543 perdeu o pai, e os irmãos partiram, um após o outro, para a América.

A “segunda conversão”

Na Quaresma de 1554, aos 39 anos, Teresa parou diante de uma imagem de “um Cristo muito chagado”. Caiu de joelhos, chorando, e pediu forças para não ofendê-lo mais. A partir daí, a oração passou a ser o centro da sua vida, e com ela vieram graças místicas que descreveu com precisão: visões, êxtases e a transverberação do coração, que Bernini representou em Roma, por volta de 1650, na igreja de Santa Maria da Vitória. Alguns confessores viram nisso ilusão do demônio. São Francisco de Borja e São Pedro de Alcântara a ajudaram a discernir. Para Teresa, orar “significa frequentar com amizade, porque frequentamos face a face Aquele que sabemos que nos ama”.

A reforma do Carmelo

Em 24 de agosto de 1562, com o apoio do bispo de Ávila, D. Álvaro de Mendoza, fundou o mosteiro de São José, de vida pobre, retirada e dedicada à oração pela Igreja. O geral da Ordem, João Batista Rossi, aprovou a obra e autorizou novas fundações. Seguiram-se Medina del Campo, Malagón, Valladolid, Toledo, Salamanca, Alba de Tormes, Segóvia, Beas, Sevilha e outras, até Burgos e Granada, em 1582: dezessete casas de monjas, segundo as Carmelitas de Alba. Em 1567 Teresa conheceu o jovem frei João da Cruz, e em 28 de novembro de 1568 abriram em Duruelo o primeiro convento de Carmelitas Descalços. Houve resistências, divisões na Ordem e denúncias. Em 1580, Roma erigiu os Descalços em província autônoma.

São José, protetor da reforma

Teresa tinha grande devoção a São José e o adotou como advogado e intercessor. O Papa Francisco, na Patris corde, lembra que ela se recomendava instantemente a ele, recebia as graças que pedia e persuadia os outros a serem igualmente devotos. Muitas das suas fundações levam o nome do santo.

Os escritos

Teresa não teve formação acadêmica, mas leu os Padres da Igreja e se aconselhou com teólogos. O Livro da Vida, que ela chamava de Livro das Misericórdias do Senhor, foi composto em 1565 para submeter seu caminho espiritual aos confessores. O Caminho de Perfeição foi escrito para as doze noviças de São José e traz um comentário ao Pai-Nosso. O Castelo Interior, de 1577, descreve a alma como um castelo de sete moradas e usa a imagem do bicho-da-seda que se torna borboleta. No Livro das Fundações, escrito entre 1573 e 1582, Teresa narra a história dos novos Carmelos. Os versos “Nada te turbe, nada te espante… só Deus basta” resumem o seu ensinamento.

A morte em Alba de Tormes

Em 1582, depois de fundar o Carmelo de Burgos e a caminho de Ávila, Teresa chegou doente a Alba de Tormes e ali morreu, em 4 de outubro. Repetia: “Enfim, morro filha da Igreja” e “Meu Esposo, chegou a hora de nos vermos”. Naquele ano entrava em vigor o calendário gregoriano, e o dia seguinte à sua morte foi contado como 15 de outubro. A tradução portuguesa da audiência de Bento XVI fala por isso em “noite de 15 de Outubro”. As Carmelitas de Alba, que guardam o seu sepulcro, dão o dia 4. O corpo e o coração da santa são venerados em Alba de Tormes.

Doutora da Igreja

Beatificada por Paulo V em 1614 e canonizada por Gregório XV em 1622, Teresa teve a festa fixada em 15 de outubro. Em 27 de setembro de 1970, com a carta apostólica Multiformis sapientia Dei, Paulo VI a proclamou Doutora da Igreja. Na homilia, recordou que era a primeira mulher a receber o título e citou as suas últimas palavras: “Finalmente sou filha da Igreja!”. Uma semana depois, o mesmo título foi dado a Santa Catarina de Sena.

Fontes

  1. S. Teresa de Jesus, virgem, doutora da Igreja, carmelita descalça (Santo do dia, 15 de outubro). Vatican News.
  2. Bento XVI, audiência geral de 2 de fevereiro de 2011: Santa Teresa de Ávila. Santa Sé.
  3. El Convento y La Iglesia (Santa Teresa y la fundación de este convento). Carmelitas Descalças de Alba de Tormes.
  4. Paulo VI, homilia na proclamação de Santa Teresa de Jesus como Doutora da Igreja (27 de setembro de 1970). Santa Sé.
  5. Paulo VI, carta apostólica Multiformis sapientia Dei (27 de setembro de 1970), em latim. Santa Sé.
  6. Francisco, carta apostólica Patris corde (8 de dezembro de 2020). Santa Sé.
  7. St. Teresa of Jesus (Teresa of Avila), Catholic Encyclopedia (1912), em inglês. New Advent.

Frases de Santa Teresa de Ávila

“Nada te perturbe, nada te espante; tudo passa, Deus não muda; a paciência tudo alcança; quem a Deus tem nada lhe falta: só Deus basta.” (Santa Teresa de Ávila, poesia “Nada te turbe”)
“[Orar] significa frequentar com amizade, porque frequentamos face a face Aquele que sabemos que nos ama.” (Santa Teresa de Ávila, Livro da Vida, 8,5, na tradução citada por Bento XVI na audiência geral de 2 de fevereiro de 2011)
“O Senhor não olha tanto a grandeza das nossas obras. Olha mais o amor com que são feitas.” (Santa Teresa de Ávila, Castelo Interior, Sétimas Moradas, 4,15)
“No fim, morro como filha da Igreja.” (Últimas palavras de Santa Teresa, recordadas por Bento XVI na audiência geral de 2 de fevereiro de 2011)

Orações de Santa Teresa de Ávila

Ó Deus, que pelo Espírito Santo fizestes surgir Santa Teresa para recordar à Igreja o caminho da perfeição, dai-nos encontrar sempre alimento em sua doutrina celeste e sentir em nós o desejo da verdadeira santidade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Bendito sejais para sempre, porque, mesmo quando Vos deixei, Vós não vos afastastes de mim por inteiro, Dando-me sempre a mão Para que eu voltasse a me levantar; Muitas vezes, Senhor, eu não a queria, Nem procurava entender porque tantas vezes Me chamáveis de novo.

Ó infinita bondade do meu Deus, que me parece que Vos vejo e vejo desta maneira! Ó delícia dos anjos, que, ao ver isso, todo o meu ser gostaria de desfazer-se em Vosso amor! Como é certo que sofreis com quem sofre por ter-Vos junto a si. Que bom amigo sois, Senhor meu! Como vais brindando a minha alma, e sofrendo, à espera de que ela alcance Vossa condição, suportando a sua, até que ela o consiga! Considerais, Senhor meu, os instantes em que ela o quer e, por um vislumbre de arrependimento de sua parte, esqueceis que ela Vos tem ofendido.

Ó Santa Teresa de Jesus, vós sois a mestra da genuína oração e nos ensinais a rezar conversando com Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Ó Santa Teresa, ajudai-nos a rezar com fé e confiança, sem nunca duvidar da bondade divina. Ajudai-nos a rezar com inteira conformidade de nossa vontade com a vontade de Deus, com insistente perseverança até alcançarmos aquilo que necessitamos. Amém.

Ó Santa Teresa de Jesus, fazei-nos fiéis à nossa oração da manhã e da noite, e a transformar em oração o cumprimento de nossas tarefas de cada dia. Que a oração seja para nós a porta de nossa conversão e santificação e a chave de ouro que nos abrirá a porta do Céu. Amém. Santa Teresa de Jesus, rogai por nós!

Livros de Santa Teresa de Ávila

  • Livro da Vida

    Santa Teresa de Jesus

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  • Castelo Interior ou Moradas

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  • Caminho de Perfeição

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  • Obras Completas

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  • Teresa de Ávila: uma biografia

    Marcelle Auclair

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Filmes sobre Santa Teresa de Ávila

  • Teresa de Jesús (série)

    1984 · 8 episódios

    IMDb7.5

    Ver no IMDb
  • Teresa de Jesús

    1962 · 2h 11min

    IMDb6.4

    Ver no IMDb
  • Teresa

    2023 · 1h 41min

    IMDb6.0

    Ver no IMDb

Perguntas frequentes sobre Santa Teresa de Ávila

A festa de Santa Teresa de Jesus, também chamada Teresa de Ávila, é celebrada em 15 de outubro. Segundo as Carmelitas Descalças de Alba de Tormes, ela morreu na noite de 4 de outubro de 1582, no convento da Anunciação que havia fundado naquela cidade. O dia seguinte, em que se celebrou o funeral, já era 15 de outubro, por causa da reforma gregoriana do calendário.

O Papa São Paulo VI a proclamou Doutora da Igreja universal em 27 de setembro de 1970. Foi a primeira mulher a receber esse título. Na carta apostólica Multiformis sapientia Dei, o Papa explica que a proclamou sobretudo pelo seu conhecimento e ensino das coisas divinas. O pedido foi apresentado pelo Prepósito-Geral dos Carmelitas Descalços, apoiado por cardeais, bispos, superiores religiosos e estudiosos.

É um dos textos mais conhecidos de Santa Teresa. Na versão citada por Bento XVI, diz: "Nada te turbe / nada te espante; / tudo passa. Deus não muda; / a paciência obtém tudo; / quem possui Deus / nada lhe falta / só Deus basta!". O Papa liga o poema a uma verdade que Teresa descobriu na infância: tudo o que pertence a este mundo passa, e só Deus é "para sempre".

É a obra mística mais famosa de Santa Teresa, escrita em 1577. Nela, a alma é comparada a um castelo com sete moradas, imagem da interioridade do ser humano. Teresa usa também a imagem do bicho-da-seda que renasce como borboleta, para falar da passagem do natural ao sobrenatural. Na sétima morada, ela descreve o ápice da vida cristã.

Segundo Bento XVI, ela morreu em Alba de Tormes, quando voltava para Ávila depois de fundar o Carmelo de Burgos. Morreu repetindo duas frases: "No fim, morro como filha da Igreja" e "Meu Esposo, chegou a hora de nos vermos".

O primeiro Carmelo reformado, fundado por Teresa em Ávila em 1562, foi o Carmelo de São José. O Papa Francisco, na carta Patris corde, lembra que Teresa adotou São José como advogado e intercessor, recebia dele as graças que pedia e incentivava os outros a serem seus devotos.

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Adicionado em 09/04/2024

Última atualização em 20/10/2026

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