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São Bento

São Bento

Festa litúrgica: 11 de julho

Nascimento: c. 480 (Núrsia, Itália)

Morte: c. 547 (Monte Cassino, Itália)

Padroeiro:🇪🇺 Europa⛪ Monges e vida monástica

Conheça a vida e o legado de São Bento, celebrado em 11 de julho. Descubra tudo sobre a história de São Bento, incluindo sua biografia, frases, orações e símbolos que representam sua vida como santo da Igreja Católica.

Tags:MonasticismoTrabalhoEducação

Linha do tempo

  1. c. 480

    Nasce na região de Núrsia, segundo São Gregório Magno. O ano é aproximado.

  2. Juventude

    Estuda em Roma, mas deixa a cidade. Depois de uma estadia em Affile, vive três anos como eremita numa gruta de Subiaco.

  3. Antes de 529

    Funda os primeiros mosteiros no vale do Aniene, perto de Subiaco.

  4. 529

    Estabelece-se em Montecassino, onde funda o mosteiro e escreve a Regra.

  5. c. 547

    Morre em Montecassino. A tradição fixa o dia 21 de março.

  6. 1964

    Em 24 de outubro, São Paulo VI o proclama padroeiro da Europa (carta apostólica Pacis nuntius).

Biografia de São Bento

São Bento nasceu em Núrsia, pequena cidade perto de Espoleto, por volta do ano 480, numa família nobre e abastada. Foi mandado a Roma para estudar, mas deixou a cidade antes de concluir os estudos, “desejando agradar só a Deus”. Viveu alguns anos como eremita numa gruta de Subiaco, reuniu discípulos e, em 529, transferiu-se para Montecassino, onde fundou o mosteiro que se tornaria o coração da sua obra.

Ali escreveu, por volta de 530, a Regra que leva o seu nome: um texto breve, em 73 capítulos, que ele mesmo chama de “mínima, traçada só para o início”. Monges e monjas a seguem até hoje, e Bento XVI lembra que ela pode orientar também todos os que procuram a Deus. Quase tudo o que sabemos de sua vida vem do segundo livro dos Diálogos de São Gregório Magno, escrito poucas décadas depois da sua morte.

Morreu em Montecassino, num 21 de março. Bento XVI dá o ano de 547; outros autores preferem datas próximas. Viveu antes de existirem os processos formais de canonização, e o seu culto é antiquíssimo. Em 24 de outubro de 1964, Paulo VI o proclamou padroeiro da Europa. A Igreja o celebra em 11 de julho.

A fonte: os Diálogos de São Gregório

O que se conta de São Bento depende quase inteiramente do segundo livro dos Diálogos de São Gregório Magno. Bento XVI adverte que não se trata de uma biografia no sentido moderno. Gregório quis mostrar, no exemplo de um homem concreto, a subida da alma rumo a Deus, e por isso narra também muitos milagres, não para causar espanto, mas para mostrar como Deus age. As testemunhas que ele cita são discípulos do próprio Bento: Constantino, que o sucedeu como abade de Montecassino, e Honorato, abade de Subiaco quando os Diálogos foram escritos.

De Roma a Subiaco

Os pais o mandaram a Roma para estudar. Segundo Gregório, o ambiente de vícios que ali encontrou o fez abandonar a cidade antes de terminar os estudos. Ficou primeiro na aldeia de Enfide, hoje Affile, e depois viveu três anos sozinho numa gruta de Subiaco, que desde a Alta Idade Média é o centro de um mosteiro, o Sacro Speco. Bento XVI vê nesses anos de solidão um tempo de amadurecimento. Ali Bento enfrentou as três tentações fundamentais de todo homem: a da autossuficiência e do desejo de se pôr no centro, a da sensualidade e a da ira e da vingança.

Os primeiros mosteiros

A fama da sua santidade atraiu discípulos. Os monges de um mosteiro vizinho, que alguns identificam com Vicovaro, pediram-lhe que fosse seu abade, mas a experiência não durou, porque os costumes deles eram outros. Depois, no vale do Aniene, perto de Subiaco, Bento fundou seus primeiros mosteiros. Gregório fala de doze, cada um com um superior e doze monges.

Montecassino

Em 529, Bento deixou Subiaco e foi para Montecassino. No alto do monte havia ainda um culto pagão a Apolo. Bento destruiu o ídolo e, entre as ruínas da antiga acrópole, ergueu com os companheiros a abadia. Num oratório dedicado a São João Batista, quis depois ser sepultado. Gregório conta também a visita de Tótila, rei dos godos, em 543, a quem Bento repreendeu e anunciou o futuro. A Enciclopédia Católica observa que essa é a única data segura de toda a sua vida.

Escolástica

O Vatican News a apresenta como irmã de Bento. Uma tradição aceita por São Beda a faz sua gêmea. Gregório conta que ela, consagrada a Deus desde a infância, vinha uma vez por ano visitar o irmão, e que os dois foram sepultados no mesmo túmulo.

A Regra

A Regra, escrita por volta de 530, abre com um convite: “Ouça, filho, os ensinamentos do Mestre; dê-lhe ouvidos com o coração”. O mosteiro é “uma escola de serviço ao Senhor”, e o dia se divide entre a oração, o trabalho manual e a leitura da Palavra de Deus, porque, diz Bento, “o ócio é inimigo da alma”. O abade desempenha no mosteiro “as funções de Cristo” e deve mostrar o que é bom e santo mais com os fatos do que com as palavras. Antes de decidir, escuta os irmãos, porque “muitas vezes Deus revela ao mais jovem a solução melhor”. Bento XVI vê nesse equilíbrio o motivo de a Regra ter atravessado os séculos.

A morte e o culto

Gregório narra que Bento, já doente, pediu que o levassem ao oratório, recebeu a Eucaristia e morreu de pé, amparado pelos discípulos, com as mãos erguidas para o céu. O dia é 21 de março. Quanto ao ano, Bento XVI escreve 547, enquanto a Enciclopédia Católica prefere 543. A festa universal é 11 de julho. Desde o século VII discute-se se as relíquias ficaram em Montecassino ou foram levadas para Fleury, na França.

Padroeiro da Europa

Com a carta apostólica Pacis nuntius, de 24 de outubro de 1964, Paulo VI declarou São Bento padroeiro principal da Europa. Bento XVI explica a escolha: depois da queda do Império Romano, a Regra ajudou a formar uma nova unidade espiritual e cultural no continente. A devoção popular o liga ainda à medalha de São Bento, com a cruz e as iniciais de orações de exorcismo, que os mosteiros beneditinos explicam aos fiéis.

Fontes

  1. S. Bento abade, Padroeiro da Europa (Santo do dia, 11 de julho). Vatican News.
  2. Bento XVI, audiência geral de 9 de abril de 2008: São Bento de Núrcia. Santa Sé.
  3. Bento XVI, audiência geral de 9 de abril de 2008: São Bento de Núrcia (texto italiano). Santa Sé.
  4. Paulo VI, carta apostólica Pacis nuntius (24 de outubro de 1964), em latim. Santa Sé.
  5. Medalha de São Bento. Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro.
  6. A medalha de São Bento. OSB.org.
  7. St. Benedict of Nursia, Catholic Encyclopedia (1907), em inglês. New Advent.

Frases de São Bento

“Nada antepor ao amor de Cristo.” (Regra de São Bento, cap. 4,21)
“À Obra de Deus nada se anteponha.” (Regra de São Bento, cap. 43,3, citada por Bento XVI na audiência geral de 9 de abril de 2008)
“O primeiro grau da humildade é a pronta obediência, peculiar àqueles que nada amam acima de Cristo.” (Regra de São Bento, cap. 5,1-2)
“Devemos acautelar-nos contra o mau desejo, porque a morte foi colocada à porta do prazer.” (Regra de São Bento, cap. 7,24)

Orações de São Bento

Ó Deus, que fizestes o abade São Bento preclaro mestre na escola do vosso serviço, concedei que, nada preferindo ao vosso amor, corramos de coração dilatado no caminho dos vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Cruz do Santo Pai Bento. A Cruz sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te, Satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces; bebe tu mesmo os teus venenos! Rogai por nós, bem-aventurado São Bento, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrastes sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições. Que nas famílias reine a paz e a tranquilidade, afastem-se todas as desgraças, tanto corporais como espirituais, especialmente o pecado. Alcançai do Senhor a graça que vos suplicamos, obtendo-nos finalmente que, ao terminar nossa vida, neste vale de lágrimas, possamos louvar a Deus.

Dá-me, benigníssimo Jesus, a inteligência que Te entenda, a sabedoria que Te encontre, o espírito que Te ame, o ato que Te glorifique, os ouvidos que Te ouçam, os olhos que Te vejam, a língua que Te louve, a paciência que suporte os males permitidos por Ti. Dá-me Tua presença; dá-me a feliz ressurreição, e como prêmio, a vida eterna. Amém

Livros de São Bento

  • Vida de São Bento

    São Gregório Magno

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  • Regra de São Bento em Português

    São Bento (trad. D. João Evangelista Enout, OSB)

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  • São Bento - Pai da Europa

    Felipe Aquino

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  • Introdução à Regra de São Bento

    Michael Casey & David Tomlins

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  • Devocionário São Bento

    Vários autores

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Filmes sobre São Bento

  • Il sole di Montecassino

    1945 · 1h 27min

    IMDb4.2

    Ver no IMDb

Perguntas frequentes sobre São Bento

A festa de São Bento é celebrada em 11 de julho. Ele nasceu em Núrsia, na Itália, por volta do ano 480. Segundo Bento XVI, morreu em 21 de março de 547.

O Papa São Paulo VI proclamou São Bento padroeiro principal de toda a Europa pela carta apostólica Pacis nuntius, de 24 de outubro de 1964. A carta começa chamando-o de "mensageiro da paz, artífice da unidade, mestre da civilização" e, sobretudo, arauto da religião cristã e fundador da vida monástica no Ocidente. A proclamação foi feita quando o Papa consagrava novamente a igreja de Montecassino, destruída em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, e depois reconstruída. Segundo Bento XVI, Paulo VI quis reconhecer a obra realizada pelo santo, por meio da Regra, na formação da civilização e da cultura europeias.

É um sacramental da Igreja Católica, muito difundido pela tradição beneditina. Segundo o Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, a medalha reúne uma confissão de fé e uma oração de libertação do mal, apoiada na intercessão de São Bento e no sinal da Cruz de Cristo. É costume benzê-la e levá-la consigo como expressão de confiança na proteção de Deus, especialmente nas horas de tentação, doença ou perigo. O texto beneditino publicado no portal OSB.org rejeita o uso da medalha, ou de qualquer objeto religioso, como amuleto ou objeto com poder mágico para trazer sorte.

No verso, as letras C S P B, nos ângulos da cruz, significam Crux Sancti Patris Benedicti: "Cruz do Santo Pai Bento". Na própria cruz estão as iniciais de uma oração que o Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro traduz assim: "Que a santa Cruz seja a minha luz / Que o demônio não seja o meu guia". Na margem, as letras V R S N S M V e S M Q L I V B são as iniciais de Vade retro Satana, nunquam suade mihi vana; sunt mala quae libas, ipse venena bibas: "Afasta-te, Satanás; nunca me aconselhes coisas vãs; é mal tudo o que me ofereces; bebe tu mesmo o teu veneno". Acima da cruz está a palavra pax, "paz", lema beneditino há séculos. Por muito tempo não se soube o que as letras queriam dizer; a explicação foi encontrada em 1647, num manuscrito de 1415 da Abadia de Metten, na Baviera.

Na frente da medalha, ao lado da figura do santo, há um cálice envenenado, que se quebrou quando ele fez sobre ele o sinal da cruz, e um corvo prestes a levar embora um pão envenenado que um inimigo invejoso lhe havia enviado. Em volta da figura lê-se Eius in obitu nostro praesentia muniamur: "que sejamos fortalecidos por sua presença na hora da nossa morte". Os beneditinos sempre o consideraram padroeiro especial da boa morte: segundo o mesmo texto, ele morreu de pé, na capela de Montecassino, com os braços erguidos para o céu, amparado pelos monges, pouco depois de receber a Comunhão.

A principal fonte sobre sua vida é o segundo livro dos Diálogos de São Gregório Magno. O Papa Gregório escreveu no ano de 592, cerca de cinquenta anos depois da morte do santo. Bento XVI observa que não se trata de uma biografia no sentido clássico: o autor quis mostrar, pelo exemplo de São Bento, a subida aos cumes da contemplação. Para São Gregório, Bento foi "um astro luminoso" numa época de grave crise.

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Adicionado em 15/04/2024

Última atualização em 20/10/2026

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